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Startups: a onda de jovens empreendedores

07/11/2013
A vontade de empreender é algo que faz parte da grande maioria dos brasileiros. Mas o que antes era complicado e exigia muito tempo e dinheiro, hoje encontra caminhos mais simples. Um dos meios é o uso da tecnologia, que, além de facilitar o processo de execução de uma ideia, torna o custo muito mais baixo. E a tecnologia também é a base para a criação de muitas startups que, apesar de não serem formatos de negócios baseados unicamente na tecnologia, se valem deste meio e sabem como tirar o melhor proveito dele. 

Rio Preto, que tem sua base no agronegócio, tem seguido o ritmo do restante do mundo e investido cada vez mais em startups, tanto que empreendedores da região se uniram para criar um grupo no Facebook para abordar temas ligados ao assunto, tirar dúvidas e compartilhar informações. A ideia é se ajudar, evoluir juntos e tornar este mercado ainda maior na região. 

O grupo já conta com mais de 250 participantes, entre empreendedores, incentivadores, possíveis investidores e interessados e de todo tipo. Eles buscam levar o setor de startups na região para além do que ele já é hoje, como disse o fundador do grupo Ariel Evidio Fernandes Costa, um dos empreendedores que aposta na startup Cão Fácil. “Nossa intenção foi a de criar um grupo de startup em Rio Preto para unir essas pessoas e buscar investidores, mentores e melhorar nossa cultura sobre o assunto. 

Existe todo um processo que é desconhecido, pois o pessoal passa um ano desenvolvendo um projeto, lança e não dá certo. Por que não fazer em um mês algo mais simples, testar com o mercado e depois, se der certo, realmente investir? Queremos, com o grupo, fomentar este setor por aqui”, afirma. 

O projeto do grupo surgiu de uma conversa entre Costa e um amigo, que também está envolvido em um projeto online. “Resolvi montar um grupo no Facebook para reunir todo mundo que tem este mesmo intuito, o de empreender com startups. Percebi que várias pessoas da região tinham este mesmo sentimento que eu, de estar sozinho, de ter que procurar as informações das quais precisava na internet e não encontrar ninguém para trocar ideias”, conta. 

Segundo Costa, não são todos os integrantes do grupo que participam com frequência, mas há interação, seja lendo, curtindo ou compartilhando. “Acredito que isso seja reflexo também de que muitos estão começando a entender sobre o assunto agora. Muita gente entrou no grupo por curiosidade”, disse. 

Para Renan Valentin Ferreira, 21 anos, proprietário da startup Wedding Touch, e que conheceu o grupo por meio de um amigo, o projeto é uma boa oportunidade para aqueles que estão começando ou que já possuem algum empreendimento. 

“O grupo é ótimo para conhecer novas pessoas que estão no meio e com disposição para ajudar e apoiar”, afirma.João Paulo Pereira Rodrigues, 21 anos, sócio/diretor na newM Aplicativos Mobile, viu no grupo a oportunidade de “trocar figurinhas” com pessoas na mesma situação que a dele, algo importante para o crescimento profissional e esclarecedor. “Lá tenho falado com empreendedores mais evoluídos que nós no processo de gestão, pessoas com quem temos aprendido muito e também encontramos jovens no início ou mesmo com um sonho, apenas, para incentivarmos e colaborarmos para o aperfeiçoamento dos seus modelos de negócios”, garante. 

Rodrigues acredita que o grupo tem a capacidade de tornar as oportunidades para as empresas de Rio Preto ainda maiores, conforme for crescendo e se colocando presente na região. “Na minha opinião, quem mais ganha com tudo isso é o consumidor. Afinal de contas, todos aprendem com todos. Hoje nós concorremos com empresas de todo o mundo. A diferenciação é o segredo para o sucesso”.

O perfil do empreendedor de startups em Rio Preto, assim como no Brasil, está muito ligado à juventude, à chamada geração Y, aqueles que nasceram entre os anos 80 e 90 e que tiveram seu crescimento aliado ao desenvolvimento da tecnologia e da expansão da internet. Segundo a psicóloga Luciana Rocanto, que trabalha com recursos humanos, este caminho é simples para esta geração que está saindo para o mercado de trabalho atualmente. 

“Esta geração nasceu com a tecnologia. Eles possuem facilidade quanto ao tecnológico, de pensar com este tipo de recurso. Além disso, possuem um comportamento diferenciado com relação à curiosidade e a entrar nessa área tecnológica. São muito mais ousados e se destacam por serem autodidatas nestes assuntos. Por exemplo, esta geração não precisa de manual para aprender a mexer em produtos tecnológicos”, diz. 

Bons ventos 

Outro fator que influencia neste caminho profissional é o momento econômico pelo qual o país passa atualmente, garante Luciana. “Vivemos em um momento estável da economia, o que permite que eles sejam mais ambiciosos. É um cenário totalmente diferente do vivenciado pela geração anterior, o que contribui muito. Com a tecnologia não há barreiras, não há dificuldade”. 

As características desta geração são muito específicas, garante Luciana. Eles gostam de flexibilidade de horários, não se importam com ostentação quanto à hierarquia, prezam pelo individualismo - resultado da criação por pais que trabalham fora -, sabem separar trabalho e lazer, possuem alta produtividade e são autônomos na hora de buscar conhecimento, por meio de várias fontes e sem esperar pelo processo formal de capacitação. 

Persistência é fundamental 

As dúvidas e a vontade de empreender foram o que movimentou Ariel Evidio Fernandes Costa em sua busca pelo crescimento profissional.“Para mudar esta situação, comecei a estudar muito afundo o tema e comecei a fazer amizade online com o pessoal que está engajado neste universo todo, pessoas de São Paulo, Rio de Janeiro e até do Vale do Silício, nos EUA, onde ‘a coisa’ pega mesmo. Há toda esta cultura de investimento, ‘anjo’, empresas de alto risco, inovação e tudo mais o que vem de lá”, disse. 

Para João Paulo Pereira Rodrigues, Rio Preto possui a vantagem de ser uma cidade promissora, mas esta vantagem não consegue superar o desafio que é ser pioneiro em tecnologia. “Hoje vivemos aqui em um cenário totalmente diferente das capitais brasileiras, no que diz respeito às tecnologias móveis, sem falar do exterior, e um dos nossos objetivos é mudar isso”, afirma. 

Thiago Hebeler, 24 anos, diretor de marketing e financeiro do site Rangaria, também garante que há dificuldade na implantação de um projeto que envolva inovação tecnológica, mas, segundo ele, alguns dos segredos para o sucesso são a persistência e a agilidade. 

“A primeira coisa é querer muito fazer acontecer. Tem que ser algo além do desejo de querer abrir uma empresa só para não ter chefe. Segundo é começar já. Não adianta ter uma boa ideia e depois falar ‘eu pensei primeiro em fazer isso’. Já ouvi dizer que abrir um negócio é 5% inspiração e 95% transpiração e é a mais pura verdade. Tem que correr atrás, dar a cara pra bater”, conta. Mas não é por que há a persistência e a boa ideia que as coisas serão mais simples. “Vejo que as maiores dificuldades são crescer de forma sustentável e a adesão da sociedade perante uma coisa nova”, afirma Hebeler.

Fonte: Diário Web - http://www.diarioweb.com.br/novoportal/noticias/economia/133497,,A+onda+de+jovens+empreenderores+e+compartilhar+conhecimento.aspx